Seja Bem Vindo (a)

Nem todos os que dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos Céus;

mas apenas entrará aquele que faz a vontade de meu pai que está nos Céus.

(Matheus, 7:21 a 23)

 “Tempos atrás, um amigo me perguntou se eu aceitaria lecionar filosofia para seus dois filhos, um de 10 anos e outro ainda mais jovem. Aceitei. O curso era para durar um mês, acabou durando um ano.

Naqueles encontros, eu “ia até à infância e voltava”, e aquele que ia não era o mesmo que retornava. E o que voltava vinha de lápis de cor na mão, e aprendia que as ideias que valem a pena ensinar se deixam desenhar com lápis de cor.

Perto do fim do ano, houve um feriadão. Toda a família desse amigo viajou para Londres, incluindo os dois meninos. No retorno, assim que entrei no apartamento, o pai pediu para o Xandinho me narrar o que aconteceu em Londres, mas o menino saiu correndo, como se tivesse feito uma arte, uma “peraltagem”.

Eles foram ver, entre outras coisas, a cerimônia na qual a Rainha da Inglaterra passa à frente do público, e todos se ajoelham em reverência, olhos no chão. Então, o pai mesmo me contou o que aconteceu: quando a Rainha, cheia de pompa e ouro, passou diante deles, todos se ajoelharam diante de seu poder, exceto o Xandinho. Ele ficou de pé, de braços cruzados, firme, olhando diretamente para a Rainha, que virou a cabeça para olhar, espantada, o pequeno insubmisso.

Quando a mãe indagou ao menino por que ele não se ajoelhou como todo mundo, ele respondeu: “Não ajoelho diante de quem é igual a mim”. Ao ouvir isso, a mãe disse ao pai: -“acho que já está na hora de nosso filho parar de ter aulas de filosofia…”.

Nesse mesmo dia em que ouvi o relato, dei minha última aula aos garotos. No fim, o menino da peraltagem me perguntou: “Vai ter prova?”

Respondi: -“Não, você já está aprovado. Com dez.” (1)

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Refletindo sobre esse extraordinário texto de Elton Luiz Leite de Souza (1), lembrei-me de episódios marcantes na vida de dois Espíritos.

O primeiro deles foi Públio Lentulus.

O senador romano era um homem orgulhoso, mas nobre. Casou-se com uma excepcional mulher, Lívia, que ele tanto amou, mas que também trouxe-lhe grande revolta e sofrimento por haver abraçado o Cristianismo. Tinham dois filhos, Flávia Lentúlia e Marcus. Sua filha fora atacada pela hanseníase.

Foi desta forma que ele teve a grande oportunidade de encontrar Jesus. Sua esposa Lívia, que já houvera ouvido falar do Nazareno, implorou-lhe que pudesse procurar o Mestre na esperança de uma cura definitiva para a pequenina, visto o grande número de comentários do povo naquela época sobre as curas operadas por Jesus.

O senador aquiesceu ao pedido da esposa amada e na cidade de Cafarnaum quando as horas mais movimentadas do dia se escoram e o crepúsculo começou a se fazer visível, o senador então se colocou a caminho. Depois de mais de uma hora de expectativa, deu-se então o encontro de Públio Lentulus com Jesus. Diante de seus olhos ansiosos, estava uma personalidade inconfundível e única.

Lágrimas ardentes rolaram-lhe dos olhos, que raras vezes haviam chorado, e força misteriosa e invencível fê-lo ajoelhar-se na relva lavada em luar. (2)

Públio Lentulus, que mais tarde reencarnaria como Emmanuel, mentor espiritual do médium Chico Xavier, foi vencido pelo poder da superioridade moral e espiritual (o único verdadeiro!).

E prostrou-se submisso.

O outro episódio do qual me lembrei foi de Frederico Figner, diretor da Federação Espírita Brasileira e espírita atuante, que no livro “Voltei” adotou o pseudônimo de “Irmão Jacob”, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier.  (3)

O momento esplêndido ocorreu com a materialização no plano espiritual de “Bittencourt Sampaio”, excelente médium espírita. Ademais, em vida, Bittencourt foi jurisconsulto, magistrado, político, alto funcionário público, jornalista, literato e renomado poeta lírico.

Após a prece do espírito Bezerra de Menezes, Frederico Figner, em lágrimas de ventura, presenciou a materialização, considerando que o espírito Bittencourt se encontrava em planos espirituais elevadíssimos. Intraduzível maravilha! Na câmara alva surgiu, de repente, uma estrela cujos raios tocavam o chão. Em lágrimas, contemplou a estrela que começava quase imperceptivelmente a tomar forma humana.

Nesse instante, Frederico, em pranto, gritou que não era digno daquelas manifestações de apreço e nem merecia a visita divina que principiava a revelar-se.

Frente à Bittencourt Sampaio materializado, Frederico deixou-se tombar, em completa e espontânea submissão à superioridade moral do Espírito Bittencourt Sampaio.

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Estamos numa fase desligada da realidade promovida pelo cenário político. O marketing endemoniza o adversário e promove a adoração bizarra e irracional de figuras políticas, que parecem ganhar um ar messiânico na visão de certa parcela da população, não importando o que falem ou o que façam.

Os políticos são colocados como um tipo de “produto” e se utilizam de estratégias para evidenciar sua “marca”. Assim, alguns consumidores (no caso cidadãos/eleitores) criam um forte vínculo emocional e tornam-se fãs, apóstolos, discípulos dos políticos, soldados do objeto de devoção. Transformam-se, assim, em seres autômatos conduzidos pela veneração a uma figura imaginada que não existe na vida real.

“Portanto, e infelizmente, assim como vemos “maus produtos” sendo anunciados e comercializados, vemos também “maus políticos” se vendendo como salvadores da pátria. E muitos consumidores são enganados por adotá-los com todas as suas forças. Então fica o convite para que você reflita: será que a “marca/produto” objeto de sua lealdade é, realmente, “de qualidade”? Será que vale tamanha dedicação?”

Se for pra você “se ajoelhar”, que seja por algo verdadeiramente superior.

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